A perda da primeira posição do Campeonato Brasileiro para o Flamengo, registrada no último domingo, ligou o sinal de alerta no Palmeiras restando 12 rodadas para o encerramento da competição. A mudança no topo da tabela fez com que o clube revivesse um cenário parecido com o que enfrentou na última temporada, gerando cobranças internas por uma postura diferente na reta decisiva da competição.
Logo após o empate sem gols diante do Botafogo, resultado que decretou a perda da liderança, o diretor de futebol Anderson Barros reforçou a necessidade de evitar os tropeços cometidos no passado recente. A busca por respostas para a queda de desempenho ocorre justamente no momento em que a temporada entra na fase de definição de títulos.
Durante o ano de 2025, o clube passou por um processo de reestruturação que contou com a chegada de 12 reforços. Naquela oportunidade, a diretoria atribuiu as oscilações ao desgaste físico, à falta de experiência de parte do grupo e a falhas no setor defensivo, que acabou cedendo gols evitáveis nos minutos finais dos confrontos.
O técnico Abel Ferreira, após a decisão da Libertadores daquele ano, também apontou fatores emocionais, citando o receio de errar e a diminuição da agressividade em campo. No vestiário, após uma derrota contra o Santos no Brasileiro de 2025, o treinador fez um questionamento direto aos atletas sobre a capacidade do grupo, indagação que voltou a utilizar antes de aplicar uma goleada sobre o Vasco na atual temporada de 2026.
Na presente temporada, contudo, o treinador dispõe de um plantel considerado superior aos dos anos anteriores. Em busca de maturidade para o grupo, o departamento de futebol trouxe três reforços experientes: Marlon Freitas, Jhon Arias e Barboza. Os atletas ostentam conquistas de expressão em seus currículos, sendo que Barboza foi contratado após uma oportunidade de mercado surgida durante as negociações por Nino.
Apesar de ter conquistado o Campeonato Paulista, liderado o Brasileirão e alcançado fases avançadas na Copa do Brasil e na Libertadores, o Palmeiras voltou a apresentar uma queda de rendimento, que desta vez surgiu mais cedo no calendário. Diversos fatores ajudam a explicar este momento de instabilidade.
Setor ofensivo desajustado
O ataque tem sido a faixa de campo com maior volume de problemas ao longo da temporada. Embora tenha recebido o reforço de Jhon Arias, o setor sofreu com desfalques importantes. Ramón Sosa segue entregue ao departamento médico recuperando-se de lesão muscular, Allan foi negociado com o Manchester City sem a chegada de uma reposição direta, e Paulinho enfrenta seu terceiro problema físico seguido de uma cirurgia na canela.
Com o grupo reduzido, a equipe passou a conviver com a escassez de opções de banco e a falta de pontaria. No duelo contra o Botafogo, por exemplo, o time finalizou 17 vezes, mas acertou a meta adversária em apenas cinco oportunidades. As constantes alterações na escalação também impediram a manutenção de uma sequência regular.
O ataque teve momentos promissores com Sosa e Mauricio no segundo semestre, mas a comissão técnica não conseguiu reestabelecer a parceria entre Flaco e Vitor Roque. Até o fim de setembro de 2025, a dupla havia participado diretamente de 83% dos gols palmeirenses após a alteração tática promovida por Abel.
Problemas físicos e lesões
A situação de Vitor Roque e a escassez de opções para o ataque estão diretamente ligadas ao número de atletas lesionados em 2026. O diretor Anderson Barros reconheceu o impacto dos desfalques, mas demonstrou otimismo no retorno dos jogadores para a fase decisiva das competições.
O próprio camisa nove vem enfrentando dificuldades físicas desde o início do ano, reflexo de uma lesão e consequente cirurgia no tornozelo. Sem a forma física ideal, o atacante chegou a perder a vaga entre os titulares e perdeu eficiência nas jogadas de um contra um. Com as ausências de Vitor Roque e Allan, o colombiano Arias tornou-se a principal referência do time para esse tipo de jogada individual.
Desgaste e erros de tomada de decisão
A comissão técnica avalia que o desgaste acumulado interfere diretamente no discernimento dos atletas em campo. Essa perda de lucidez tem provocado falhas no passe que resultam em contra-ataques perigosos para os adversários. Barros enfatizou que a evolução técnica e a melhoria na tomada de decisão são fundamentais para que a equipe volte a vencer e recupere o topo do campeonato.
Instabilidade no sistema defensivo
A defesa alviverde, historicamente reconhecida pela sólida organização, passou a apresentar falhas semelhantes às do ano anterior. O setor demonstrou dificuldades na marcação coletiva, somadas a erros pontuais do goleiro Carlos Miguel em partidas contra Atlético-MG e Cerro Porteño.
Durante o período, Abel Ferreira adotou uma formação com três zagueiros, esquema que ampliou o volume no campo de ataque e deu maior liberdade ofensiva. No entanto, a estratégia perdeu força com a saída de Allan, que atuava na ala direita, e com as lesões que forçaram mudanças constantes na linha de zagueiros.
Redução do aproveitamento como mandante
Além dos aspectos táticos e físicos, o rendimento nos jogos em casa tem sido um fator determinante para a perda de pontos. Após manter uma sequência de seis partidas sem derrota no Nubank Parque até o mês de abril, o aproveitamento do time como mandante caiu para 50% a partir de maio. Nos últimos seis jogos em seu estádio pelo Brasileiro, a equipe somou duas vitórias, três empates e uma derrota.
O treinador Abel Ferreira ressaltou as dificuldades para superar formações defensivas fechadas dentro de casa. Esse obstáculo já havia surgido no fim do campeonato passado, quando empates contra Vitória e Fluminense impediram a retomada da liderança — jogos que, na visão do técnico, foram decisivos para a definição do campeão.
Na ocasião, após o segundo tropeço, o treinador declarou publicamente que o foco do clube passaria a ser exclusivo na Libertadores. Para a atual temporada, todavia, a avaliação interna é de que ainda há margem para reação no torneio nacional. Anderson Barros concluiu afirmando que, restando 12 rodadas para o encerramento, o Palmeiras possui condições de disputar o título até o final.
https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2026/09/08/por-que-o-palmeiras-vive-ma-fase-e-sofre-com-queda-de-rendimento-na-reta-final-da-temporada.ghtml
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