Técnico do Palmeiras desabafa sobre cobrança por resultados, revela método de trabalho para cobranças decisivas e exalta a constância da equipe na América do Sul
O Palmeiras garantiu presença em mais uma disputa de título continental ao superar o Fluminense na cobrança de penalidades máximas, em duelo realizado na noite de quarta-feira, no Nubank Parque. A classificação carimbou a quarta passagem do técnico Abel Ferreira à grande decisão da Copa Libertadores da América no comando do clube paulista. Satisfeito com o objetivo alcançado, o comandante português destacou a maturidade demonstrada por seus comandados e ressaltou a grande capacidade de trabalho do atual grupo, que se mostra cada vez mais cascudo para grandes jogos.
Ao analisar o feito histórico de retornar à partida decisiva do torneio, Abel refletiu sobre a exigência contínua que enfrenta no cargo e sobre a busca pessoal por evolução no futebol brasileiro.
— A verdade é que ando a tentar bater os próprios recordes e vocês fazem questão de lembrar que não sou bom o suficiente. Sempre procuro minha melhor versão. Queremos ganhar, é um grupo completamente diferente, muito mais jovem do que há dois anos — declarou o treinador palmeirense.
Na avaliação do comandante, o sarrafo elevado pelas conquistas recentes acabou naturalizando um nível de exigência extremamente alto sobre a estrutura do futebol palmeirense.
— Nossos atletas estão preparados, normalizamos algo muito difícil, chegar na final da Libertadores — completou.
O peso das conquistas e o ambiente de cobrança
Embora colecione taças e momentos marcantes desde sua chegada ao Alviverde, Abel Ferreira confessou em sua entrevista coletiva que a sequência de êxitos não reduziu a carga emocional do seu dia a dia. Pelo contrário, o sucesso acumulado resultou em uma cobrança proporcionalmente maior por triunfos ininterruptos, transformando a presença em decisões em uma espécie de exigência diária.
— Pensei que depois de ganhar a primeira seria mais feliz, e é exatamente o contrário, tudo cada vez mais pesado, como se tivesse obrigação de ganhar, como se o Palmeiras tivesse obrigação de ganhar. Não, a obrigação é de dar o melhor — desabafou o técnico português.
Reviravolta nos pênaltis e o protocolo sem assistir às cobranças
A confirmação da vaga no confronto decisivo exigiu dose extra de frieza emocional do elenco palmeirense. Depois de sofrer um revés por 1 a 0 durante o tempo regulamentar, a equipe mandante viu a vantagem obtida no primeiro jogo da semifinal ser desfeita, necessitando da disputa na marca da cal para definir o classificado.
Durante as batidas decisivas, Abel Ferreira optou por não acompanhar a execução das cobranças. O técnico revelou ter desenvolvido uma postura totalmente isolada nesses momentos, fundamentada na experiência acumulada em eliminações anteriores e no entendimento das limitações que o treinamento de campo possui em relação à carga psicológica do jogo real.
— Todos os pênaltis aqui não vi nenhum. Fiz o trabalho que tinha que fazer com os jogadores, pré, durante a semana, não os preparei para bater, porque em treino nada replica a intensidade emocional de um pênalti em dia de jogo — explicou Abel.
O técnico detalhou a conversa mantida com a cúpula diretiva sobre o tema e o impacto emocional suportado pelos cobradores sob o olhar do torcedor.
— Já perdi tantas vezes em pênaltis, criei um protocolo e ponto. E seguimos, fechado, sabendo que podemos ganhar ou perder. Ninguém tem receita mágica, é no que você acredita. (...) Já falei com a presidente, nosso diretor. Nunca vou conseguir colocar no treino intensidade emocional desse momento. Bater uma série de cinco pênaltis, com 40 mil pessoas olhando à espera que marque e outros à espera que falhe. Conseguem imaginar a intensidade emocional? — argumentou.
Expectativa pela decisão em Montevidéu e virada de chave no Brasileiro
Vencedor do torneio continental nas edições de 2020 e 2021, e vice-campeão na temporada de 2025, o treinador do Verdão aguarda a definição do seu oponente na luta pelo tricampeonato sob sua batuta. O rival sairá do duelo entre Flamengo e Estudiantes, que se enfrentam no Maracanã pela outra semifinal — com a equipe carioca podendo reencontrar o Palmeiras na decisão após o duelo entre ambos no ano passado. Abel, porém, fez questão de não manifestar qualquer preferência quanto ao rival da finalíssima.
— Queria estar na final, era nosso grande objetivo e quando chegar nesta final, vamos prepará-la. Não escolhemos adversário, finais são sempre difíceis e se jogam para se ganhar — ponderou o comandante.
A grande final da Copa Libertadores está agendada para ser realizada no dia 28 de novembro, com palco confirmado no Estádio Centenário, em Montevidéu. Antes do compromisso decisivo na América do Sul, a equipe alviverde redireciona o foco imediatamente para as rodadas decisivas do Campeonato Brasileiro. Ocupando a vice-liderança da competição nacional, o Palmeiras voltará a atuar diante de sua torcida neste sábado, às 18h30, quando enfrenta o Bragantino no Nubank Parque.
https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2026/10/22/abel-valoriza-quarta-final-de-libertadores-com-o-palmeiras-normalizamos-algo-muito-dificil.ghtml

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